Mindfulness para dor crônica

Se você convive com a dor crônica, é primordial olhar para o seu estilo de vida.

A dor é multifatorial, ou seja, pode ser provocada por diversos fatores diferentes e complementares. Portanto, nossa estratégia de enfrentamento também precisa ser multifatorial.

Por isso, para tratar a dor crônica, precisamos falar sobre um estilo de vida focado no seu bem estar.

É comprovado: quando você está fazendo algo que gosta, a tendência do cérebro é desfocar da dor e focar no prazer.

As técnicas de mindfulness (atenção plena no momento presente), por exemplo, trabalham a satisfação no aqui e agora.

Faça este exercício agora:
Feche seus olhos e preste atenção no barulho à sua volta.
Escute com atenção os sons que você não percebe normalmente. o cachorro latindo longe, o garfo tocando em um prato distante, a conversa abafada há alguns metros. Agora perceba como a única coisa permanente é o silêncio.
Os sons vêm e vão, passam, e o silêncio sempre retorna. Escute o silêncio. Agradeça pelo dom da escuta, pelo presente que é estar presente.

 

Este é um exemplo de exercício de mindfulness que trabalha a percepção do aqui e agora e é uma das estratégias comprovadas na redução da sensação de dor.

Se você gostou da experiência, vai gostar do livro “Atenção Plena”, de Mark Willians. É uma excelente indicação para trabalhar esta técnica no su cotidiano.

“Está com dor crônica e continua indo à praia?”

Outro dia, uma paciente me contou que ouviu esta frase agressiva de uma conhecida.

Ela se sentiu mal com a pergunta passivo-agressiva (com razão), afinal, estar na praia é um momento de prazer, que faz bem e, mesmo ali, com os pés fincados na areia, minha paciente estava convivendo com a dor.

Como médica, minha recomendação é: está com dor e gosta de praia? Vá à praia, sim! Vá, olhe o céu azul, sinta o aroma da brisa do mar, o focinho da areia nos pés…

Tome uma água de côco geladinha, escute os pássaros, o som do oceano e dos jovens jogando altinha.

Viva seu momento de prazer plenamente!

Isso é mindfulness. É estar presente nas sensações e é estratégia comprovada para diminuir a sensação de dor.

Quando você está fazendo algo que gosta, a tendência do cérebro é desfocar da dor e focar no prazer. Portanto, viva um estilo de vida focado no que te faz bem e feliz!

E se alguém questionar que você está fazendo algo que você ama durante uma crise de dor, pode responder: foi minha médica quem recomendou!

Qual o melhor exercício para quem tem dor crônica?

Um grande mito que circula no universo da dor crônica é o de que quem está sentindo dor deve ficar de repouso.

Além deste mito não ter nenhum embasamento científico, na verdade, a falta de movimento pode piorar a sensação de dor.

Se exercitar é parte do tratamento de dor crônica. Mas, qual a melhor atividade para estes casos?

A resposta é: depende!

É fundamental contar com o apoio de um educador físico e fisioterapeuta especializados em dor crônica, que são responsáveis por ajudar a determinar o exercício para cada caso.

É importante que a atividade escolhida seja algo que você goste e que seja acompanhado pelo profissional especializado.

Se for algo na praia ou qualquer forma de manifestação da natureza, melhor ainda! O contato com a natureza, o céu azul e o mindfulness nestes ambientes ajuda a diminuir a percepção de dor.

Trabalhando a autoaceitação

A resistência nos atrasa e, a aceitação pode nos ajudar a encontrar estratégias para lidar com os cenários que compõem a nossa realidade, pois a realidade é como é.

Por isso estou compartilhando com vocês alguns trechos do livro “Manual de Mindfulness e Autocompaixão: Um Guia Para Construir Forças Internas e Prosperar na Arte de Ser Seu Melhor Amigo”.

“Mindfulness não envolve apenas prestar atenção ao que está acontecendo no momento presente. Também envolve certa qualidade de atenção – aceitar o que está acontecendo, sem se perder em julgamentos de bom ou mau. Essa atitude é frequentemente descrita como não resistência. Resistência se refere ao conflito que ocorre quando achamos que nossa experiência momento a momento deveria ser diferente do que é.

Por exemplo, a resistência ao trânsito na hora do Rush poderia ser assim: Droga! A rodovia está totalmente bloqueada. Vou me atrasar para o jantar mais uma vez! Não acredito que aquele idiota tentou cortar a minha frente logo na ladeira. Estou tão incomodado com isso que a vontade é de gritar!!

Aceitação significa que, mesmo que possamos não gostar do que está acontecendo, reconhecemos que está acontecendo e podemos relaxar quanto ao fato de que as coisas não são exatamente da forma como queremos que sejam.”

A autoaceitação faz parte do tratamento.

Viver com dor e mais qualidade de vida é possível!

 

Tratamentos não farmacológicos para fibromialgia

Já é bem consolidada na literatura que uma das intervenções de primeira linha é o tratamento não farmacológico para fibromialgia.

E, principalmente, quando utilizado em conjunto com medicamentos, tem maior chance de:

  • controlar a intensidade da dor
  • melhorar a função
  • diminuir a incapacidade
  • melhorar sintomas depressivos
  • melhorar a qualidade do sono
  • diminuir a fadiga
  • controlar a ansiedade

5 exemplos de intervenções não farmacológicas bem estabelecidas na literatura

  1. Treino de mobilidade articular: exercícios na água, aeróbico, exercício de força, exercício articular, exerçamos (jogos interativos);
  2. Terapia manual com fisioterapeuta;
  3. Tratamentos com agulhas, como aguçamento seco e com analgésico, que aplico em consultório e possui ótimo custo-benefício;
  4. Técnicas terapêuticas da psicologia, como Terapia Cognitivo Comportamental;
  5. Educação do paciente: o paciente estar bem informado sobre sua condição, com diagnóstico correto e o que esperar dos tratamentos.

Vale lembrar que o tratamento para fibromialgia envolve um Plano Completo, que visa diminuir os sintomas e melhorar a qualidade de vida e autonomia. O profissional indicado para elaborar esse plano é o fisiatra.