Dor no fim do treino?

Musculação, surfe, corrida… e aquela dor que sempre aparece no fim do treino.

Se, ao fazer uma atividade física o seu ombro trava, o joelho dói ou a lombar reclama… é um sinal de alerta.

Uma dor local e repetida pode ser um sinal de que algo precisa ser investigado com mais profundidade.

No consultório, observo muitos pacientes que treinaram por anos com dor sem saber o que realmente estava acontecendo (o que pode intensificar o problema).

A dor é um tipo de comunicação do corpo. Você tem escutado o seu?

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Mitos e verdades: dor crônica e exercícios

Quem sofre com dores crônicas pode fazer exercício?

Não só pode, como é indicado por trazer efeitos analgésicos.

Quais benefícios a atividade física traz para o paciente?

  • ajuda na mobilidade e no controle dos movimentos
  • os exercícios liberam substâncias como a endorfina, que são analgésicos naturais do corpo
  • além disso, é parte do tratamento para saúde mental, que é um dos pilares do controle da dor

Quais atividades são mais recomendadas?

Depende do objetivo, se for uma lesão específica é importante decidir com o médico.

Mas, de forma geral, é importante a pessoa ter prazer na atividade que escolher e consiga manter a regularidade.

Existe algum tipo de dor em que é aconselhável repouso?

Não é recomendada atividade física em casos que o paciente apresenta uma dor nova.

O exercício deve ser feito de forma gradual e respeitando os limites da pessoa, aumentando a intensidade aos poucos.

Com o tempo, os músculos vão de fortalecendo e o movimento alcançando maior amplitude.

Exercício gera bem estar, ajuda a tratar a dor e a mente.

*Vale lembrar que todo tratamento de dor crônica deve ser feito com acompanhamento médico.

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Por que o exercício ajuda no controle da dor?

Quando falamos de exercício físico para o controle da dor, muita gente pensa que é devido ao fortalecimento dos músculos. Mas não é só isso: o exercício funciona como um analgésico para a dor.

Como funciona?

O sistema nervoso é “neuroplástico”, o que significa que as alterações que ocorrem no estado de dor crônica podem ser revertidas.

Vários estudos têm demonstrado que o exercício melhora a dor mesmo na ausência de melhoras da força, flexibilidade ou resistência.

Ou seja, ao fazer atividade física não trabalhamos apenas o fortalecimento muscular isolado dos músculos dolorosos. Trabalhamos o efeito analgésico que o exercício proporciona ao corpo.

Ao utilizarmos o exercício como analgésico, a plasticidade cerebral relacionada à dor crônica é modificada.

Alguns estudos já mostram que o exercício não precisa ser focado no local da dor, já que seu efeito é sistêmico e atua no corpo inteiro.

O exercício feito na parte não dolorosa do corpo pode ter efeitos analgésicos sobre a parte dolorosa, já que os mecanismos da dor crônica vão além de um único ponto local.

Então, uma pessoa com dor crônica no ombro, por exemplo, pode exercitar as pernas e poderá ter os benefícios das substâncias liberadas na atividade física sentidos, inclusive, no alívio da dor no ombro.

Por que isso acontece?

Existem várias teorias. Uma delas é sobre a atuação da atividade física nos neurotransmissores.

Por exemplo, o exercício aumenta a liberação de serotonina, que promove analgesia e ativa uma via inibitória de dor.

Também pode influenciar outros neurotransmissores, como a dopamina e noradrenalina, aliviando a sensação de dor.

Além disso, já temos evidências de que as alterações moleculares e celulares na coluna vertebral e cérebro no estado de dor crônica podem ser revertidas com exercício.

Ou seja, não faltam motivos e evidências científicas para pessoas que convivem com dor fazerem atividade física.

Mas, lembre-se de que qualquer exercício deve ser supervisionado por um educador físico especializado e acompanhado pelo seu fisiatra.

Qual o melhor exercício para quem tem dor crônica?

Um grande mito que circula no universo da dor crônica é o de que quem está sentindo dor deve ficar de repouso.

Além deste mito não ter nenhum embasamento científico, na verdade, a falta de movimento pode piorar a sensação de dor.

Se exercitar é parte do tratamento de dor crônica. Mas, qual a melhor atividade para estes casos?

A resposta é: depende!

É fundamental contar com o apoio de um educador físico e fisioterapeuta especializados em dor crônica, que são responsáveis por ajudar a determinar o exercício para cada caso.

É importante que a atividade escolhida seja algo que você goste e que seja acompanhado pelo profissional especializado.

Se for algo na praia ou qualquer forma de manifestação da natureza, melhor ainda! O contato com a natureza, o céu azul e o mindfulness nestes ambientes ajuda a diminuir a percepção de dor.