jan 11, 2023 | Emoções do paciente, Empatia, Fisiatria |
A dor nunca é isolada, é sempre resultado de uma série de fatores, como “pecinhas” de um quebra-cabeça, que vamos montando até entender o quadro geral.
É por isso que um desentendimento no trabalho ou uma briga com o marido podem contribuir para o aumento da dor. Não por ser a causa em si, mas pode ser uma das pecinhas importantes desse quebra-cabeça.
O “quebra-cabeça” da dor e incapacidade
Saber como é o dia a dia do paciente, se a sua casa tem ou não escada e sua relação com os colegas de trabalho são alguns exemplos de informações valiosas para o trabalho do fisiatra.
Isso por que o fisiatra avalia a pessoa como um todo, já que vários aspectos influenciam na sensação de dor, na funcionalidade e na qualidade de vida do paciente.
É nosso papel tentar entender as “pecinhas” do quebra-cabeça daquela pessoa que podem estar contribuindo para o aumento da dor e diminuindo a função.
Além disso, o fisiatra tem a visão de avaliar e melhorar a função da pessoa.
Ajude a melhorar mais vidas! Envie para quem precisa ler esse conteúdo!
dez 20, 2022 | AVC, Dor Crônica, Emoções do paciente, Reabilitação |
Reabilitação é um processo que, muitas vezes, pode ser longo. E para passar por ele com bem estar recomendamos práticas de autocuidado para o paciente. Veja algumas dicas:
1. Acesso a cuidados básicos
É impossível falar de autocuidado sem ter o básico. O paciente precisa ter estrutura, como:
- uma casa adaptada para o paciente em reabilitação
- alimentação adequada
- profissionais necessários para o tratamento (terapeuta ocupacional, fisioterapia, fonoaudióloga…)
- medicamentos necessários
- acompanhamento médico constante
- tranquilidade para enfrentar o processo
2. Prazer e lazer, o quanto for possível na rotina
- um momento para tomar um chá com calma, saborear suas refeições, estar presente absorvendo as sensações prazerosas do cotidiano
- acesso a TV no quarto, internet…
- existem realidade virtuais que podem auxiliar em pacientes em reabilitação
- estar em contato com a natureza sempre que possível
- jogos terapêuticos de estímulo
3. Tente entender seus sentimentos no processo
Cultive momentos de introspecção:
- meditação e atenção plena ajudam a focar no presente, controlando a ansiedade de ver os resultados (é sempre bom lembrar que reabilitação é um processo, um passo após o outro)
- oração e conexão com a espiritualidade
- terapia ajuda muito no enfrentamento
4. Comprometimento com o tratamento
- coloque em prática o plano de tratamento que o fisiatra definiu
- comprometimento com o tratamento é comprometimento com você, foque em cada passo, com a confiança que está investindo em si mesmo
5. Companhia de pessoas queridas
Familiares e amigos, se vocês soubessem o quanto uma visita para uma pessoa em reabilitação faz bem!
Mas é visita boa, com risada, bons momentos, chazinho (quando permitido na dieta do paciente) e acolhimento.
Não leve assuntos pesados, fale de coisas boas, engraçadas, e se coloque à disposição para OUVIR. Sentir que tem com quem contar faz muito bem para os pacientes que estão vivenciando este processo.
nov 21, 2022 | Dor Crônica, Emoções do paciente, Empatia, Fibromialgia, Fisiatria |
- Quando o portador de dor crônica se abrir sobre sua dor e a pessoa conta o caso da prima da amiga da vizinha que tem uma dor muito pior que a dela.
- Falar que a dor é psicológica
- Falar que a pessoa precisa “orar mais” ou que a sua dor é “falta de deus”.
E como você pode ajudar?
- Quando estiver com a pessoa, fale de assuntos positivos ou divertidos com leveza.
- Acolha a dor da pessoa, muitas vezes ouvir e se mostrar presente é suficiente.
- Promova momentos divertidos com a pessoa.
- Estimule a pessoa com palavras e atitudes.
Simples assim!
Acrescentaria mais alguma nesta lista? Deixe nos comentários!
out 25, 2022 | Empatia, Reabilitação |
Você pode e precisa descansar. Peça ajuda, aciona a rede de apoio quando possível.
Cuidar de um familiar em reabilitação é um trabalho 24h (e, muitas vezes, sem remuneração).
E pense comigo: se todos os outros trabalhos possuem momentos de descanso, não é justo que o cuidador familiar também tenha esse direito?
Rede de apoio, seu papel é este! Familiares, amigos… ofereçam ajuda, proporcionem descanso e momentos de lazer para o cuidador.
Cultive pequenos momentos de descanso e respiro ao longo do dia:
- Tome seu chá ou café com calma, aprecie suas refeições, faça pequenas pausas ao longo do dia.
- Cultive momentos seus, que contemplem sua individualidade, fazendo coisas que gosta de fazer, tanto quanto for possível.
Fale ou escreva sobre seus sentimentos:
- Desabafe com amigos de confiança. Fale. Escreva em um caderno. Coloque para fora o que está sentindo, sem julgamentos.
- Reabilitação não é fácil, são muitas emoções sobrepostas.
- Se for possível, faça terapia. A ajuda de um bom psicólogo para enfrentar o processo é fantástica!
Foque no presente:
- Um mantra que sempre repito aqui: reabilitação é processo.
- Os resultados não são de um dia para o outro, é preciso ter ações constantes e consistentes, esperar o processo acontecer.
- Portanto, tente trabalhar a ansiedade e lembrar de focar em um passo após o outro, com paciência e constância. E comemorar cada progresso.
Para conseguir cuidar do outro, você precisa estar bem. Ninguém consegue doar o que não tem.
Não abra mão de si mesmo, da sua saúde física e mental, para que você não adoeça. Você tem o direito de atender às suas necessidades.
Cuide-se para poder ajudar melhor o próximo!
ago 29, 2022 | Dor Crônica, Emoções do paciente, Empatia, Fisiatria |
Ao contar sua história, o paciente faz um apanhado do que considera importante: onde dói, como dói, os gatilhos que fazem doer…
E muitas vezes não dói só no corpo: existem demandas emocionais que exigem muito do paciente, que pode se ver sobrecarregado emocionalmente.
Para o médico da dor isto é muito valioso, pois dor é sempre multifatorial e a sua história ajuda a compreender onde podemos trabalhar para diminuir os gatilhos de dor. Ser boa médica, para mim, envolve ser uma boa ouvinte.
Em atendimento percebi que não basta explorar só a queixa de dor do paciente em si. Preciso entender todo o contexto, identificar os fatores que podem estar contribuindo para este quadro de dor, para que eu consiga montar o plano de tratamento completo que o paciente merece.
Percebi que a escuta também ajuda no tratamento em si: paciente que se sente escutado, se sente valorizado. E paciente valorizado tende a aderir melhor ao tratamento, pois ele entende que tem direito de priorizar seu tratamento, de atender às suas necessidades e fazer o melhor para si mesmo.
Poi isso, eu gosto quando meus pacientes encontram esse acolhimento no consultório. Que eles se sintam à vontade para compartilhar um pouquinho da carga emocional relacionada à dor.
Abrir o coração e honrar a história do paciente faz parte do atendimento.