Ao contar sua história, o paciente faz um apanhado do que considera importante: onde dói, como dói, os gatilhos que fazem doer…

E muitas vezes não dói só no corpo: existem demandas emocionais que exigem muito do paciente, que pode se ver sobrecarregado emocionalmente.

Para o médico da dor isto é muito valioso, pois dor é sempre multifatorial e a sua história ajuda a compreender onde podemos trabalhar para diminuir os gatilhos de dor. Ser boa médica, para mim, envolve ser uma boa ouvinte.

Em atendimento percebi que não basta explorar só a queixa de dor do paciente em si. Preciso entender todo o contexto, identificar os fatores que podem estar contribuindo para este quadro de dor, para que eu consiga montar o plano de tratamento completo que o paciente merece.

Percebi que a escuta também ajuda no tratamento em si: paciente que se sente escutado, se sente valorizado. E paciente valorizado tende a aderir melhor ao tratamento, pois ele entende que tem direito de priorizar seu tratamento, de atender às suas necessidades e fazer o melhor para si mesmo.

Poi isso, eu gosto quando meus pacientes encontram esse acolhimento no consultório. Que eles se sintam à vontade para compartilhar um pouquinho da carga emocional relacionada à dor.

Abrir o coração e honrar a história do paciente faz parte do atendimento.